domingo, 9 de agosto de 2015

"Você perdeu a menina que viajaria de ônibus pra te encontrar em um bairro que ela nunca ouviu falar, que depositaria todas as fichas só pra que esse amor que ela sentia por você desse certo. Uma menina que se molharia na chuva só pra te dar um pouco mais de espaço debaixo do guarda-chuva, que estaria disposta a te acalmar em um abraço, a cuidar de você como sempre quis ser cuidada. Uma menina que, outro dia, depois de mais um engano, disse que definitivamente daria um tempo pro amor, e então te encontrou e a promessa não fez mais sentido. Ela iria lembrar o dia do teu aniversário e iria colocar nos lembretes importantes do celular só pra não esquecer de te preparar uma surpresa. A menina que, ao se despedir de você, passaria um tempo pedindo pra que você chegasse em casa bem e só dormiria tranquila ao ouvir a tua voz dizendo: Já cheguei amor.
Você perdeu a menina que te passaria protetor solar - com as mãos mais macias que você já sentiu - quando vocês estivessem em uma daquelas viagem pro litoral -, e nem se importaria com os saradões de sunga branca que estivessem passando por ali. Você perdeu a menina que levaria remédio na bolsa porque antes de sair de casa você deduziu que talvez fosse ficar gripado. Você perdeu a menina que nunca teve medo de cortar o cabelo, nunca teve receio de mergulhar de corpo inteiro, que trocaria o vinho francês por uma cerveja, que sussurraria em teus ouvidos no silêncio do quarto, vestiria a sua cueca com cor de mostarda e sairia andando pela casa pra te provocar, e vestiria a sua regata como roupa de dormir. Ela iria topar acampar com você, tomar banho de rio, iria te deixar tranquilo e te ensinaria a não ligar tanto pro que os outros pensam. Ela iria te encorajar a finalmente ir na montanha russa, a provar pimenta no almoço e te ensinar a jogar baralho levantando só a sobrancelha direita. Mais do que sua parceria, ela seria sua companhia, seu conforto nos dias difíceis e sua morada. Você perdeu a menina que nunca escondeu os seus defeitos, que te daria dicas de moda e que, finalmente, falaria na tua cara que bermuda cargo e camisa polo listrada não combinam.
Você perdeu a menina que iria sorrir de você, com você e pra você. E mesmo que as coisas não dessem certo, ela estaria com você no final do dia. Talvez, o seu medo foi perceber que ela não faria tudo por você, que não viveria só pra você e nem atenderia todos os seus caprichos, porque no final das contas, ela não estaria sendo ela e quando percebesse a tamanha burrice que é viver a vida do outro e esquecer da própria vida, ela deixaria de te completar, porque tudo o que ela pretendia, na verdade, era somar. Ela iria te enxergar lentamente enquanto todas as outras pessoas te enxergariam rápido demais. Ela encostaria o seu mundo ao teu, esqueceria CD's, brincos, pulseiras e sandálias na sua casa só pra depois ter motivos pra voltar, dançaria com a tua tia na festa de aniversário do teu sobrinho de 4 anos. Ela te beijaria a testa com ternura, te roubaria vários beijos, você estando acordado ou dormindo. Ela te faria cafuné mesmo sabendo que você odeia que bagunce o seu cabelo, apertaria as suas bochechas e a sua bunda de vez em quando só pra ver você olhar com uma cara abusada pra ela. Ela seria o teu melhor sorriso ao acordar pra um café da manhã com pão francês, iogurte e cereais. Ela iria ameaçar chutar o teu saco quando você falasse bobagem e iria rir da cara de dor que você faz mesmo sem tê-la sentido. Ela iria te olhar de todos os ângulos, aceitar os teus defeitos internos e os físicos também. Ela iria sustentar o mundo com um só sorriso, te faria esquecer os problemas com um só olhar, nem que fosse enquanto estivesse ao lado dela.
Você perdeu a menina que iria se despojar no teu sofá, que te doaria o colo, te olharia com tamanha doçura, deixaria a escova de dentes ao lado da tua e quando você menos esperasse, iria te surpreender no almoço do sábado com um receita que aprendeu no Youtube. Você perdeu a menina que te faria perceber o quanto teu mundo mudou pra melhor desde que ela resolveu entrar. Você perdeu a menina da sua vida."

terça-feira, 4 de agosto de 2015


De vez em quando ainda me pego distante, viajando para tempos mais fáceis. lembro do seu sorriso numa tela mascarada pela pouca qualidade da imagem. Ainda assim. Mesmo assim. Brilhava.

Eram tempos esquisitos, onde primeiros encontros não mais aconteciam na sala de estar. Nomes estranhos, conversas tediosas e a perda de tempo tornava tudo preto e branco. Você veio com a cor
.
Foi bom. Estava acontecendo mesmo? Eternidades aconteciam dentro de 24 horas. Ligações. Mensagens. Sorrisos. O dia parecia longo ou encurtava. Não havia lógica. Não havia como não ser.

E foi.

Sei que você procurou meus olhos no rosto errado. misturou sabores na memória para imagina como seria o gosto do meu beijo. Se imagino rindo na minha boca. Procurou saber qual o cheiro do perfume que eu usava e imaginou se eu me arrepiaria quando você o sentisse no meu pescoço. Sei sim. Ah como sei.

Esses detalhes tornavam corpóreo o que só as palavras podiam ilustrar, mas nunca traduzir.

É nesse momento que acaba o filme. As lembranças se vão como uma música que passa no toca fitas do carro. Vida que segue. Cuida de mim. Morena. Bem-te-vi. Boto fé.

O destino se fez presente, deixando tudo no passado. Passado. Como culpá-lo? Afinal, foi ele que nos apresentou.

Agora cante, sorria, corra, viva, grite, se cale. Não se anule. Seja. Sempre na imensidão dos infinitos haverá um tempo de se lembrar daquele tempo. Foi como o pôr-do-sol do alto de um farol.

- Thizah Maciel

domingo, 12 de julho de 2015

As vezes queria esquecer aquela noite do dia 7 de março, o tal dia em que te conheci. Mas aí eu paro, penso e logo mudo de ideia. Logo entendo que você é dois extremos, primeiro você me mostra que eu ainda sou capaz de me apaixonar por alguém e logo depois me mostra que tudo pode virar fumaça de uma hora para a outra. Você foi pra mim aquele BAM que tava faltando sabe, aquela fase da minha vida que iria me explicar coisas para entender todo o resto. Vez ou outra posso até querer esquecer tudo, mas lá no fundo eu sei que tudo serve de lição, e você me deu 2 grandes lições. Então, que seja...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Existem dias que eu simplesmente não queria ver ninguém, ficar no meu lugar e esperar que tudo que me tira o riso desapareça. Já em outros momentos eu quero simplesmente alguém que fique do meu lado, que não me faça muitas perguntas, que simplesmente esteja comigo. Tudo tem seu tempo, eu sei e confio nisso, afinal a gente se agarra aquilo que nos conforta melhor.
É como eu sempre digo, não é uma vida ruim, são apenas dias ruins. É preciso caminhar no escuro que é pro sol brilhar mais forte quando surgir

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Tempos depois resolvi te escrever mais uma vez, não para tentar mudar algo, mas porque eu acho que estou de fato precisando. Por que escrever depois de tanto tempo? porque hoje foi mais cruel que os outros dias, hoje eu não tive apenas uma lembrança sua, tive uma enxurrada delas. Levei tapas, socos e ponta-pés de lembranças suas. Sabe as coisas que te lembram alguém? então, todas parecem ter se manifestado hoje, uma espécie de teste, algo que me tirou o sossego que tanto demorei a encontrar. Tenho me mantido focada em ocupar, ocupar o tempo ocioso, ocupar a play list de um modo a não pensar tanto em você, ocupar-me de algum modo para tentar não ser massacrada pela falta. Acho que já não é saudade, porque saudade a gente mata, o que tenho de você é falta mesmo. As vezes paro pra pensar e me percebo que já se passaram mais de 1 ano, quanta coisa aconteceu, não sou muito boa com datas mas me lembro de tudo, como aconteceu, o primeiro eu te amo meio torto no meio de uma mensagem durante a madrugada, a 1ª vez que de fato eu consegui falar. Lembro do 1º fora que você me deu, você sabe do que estou falando, do modo como falava: eu só quero fazer as coisas do jeito certo, não to lhe dando fora. Lembro de quando me ligou pra dizer que vinha para cá e eu mais uma vez fico sem ação, calada e você surtando do outro lado da linha todo lindo. Lembro dos meus surtos, dos seus, acho que lembro de quase tudo que remete a mim, a você, a nós. Sei lá o que você pode ta pensando lendo tudo isso, mas enquanto estou aqui escrevendo to num momento bem nostálgico. É inevitável abrir o skype e os meus olhos não 'caçarem' o seu nome na lista de onlines, parece que aquilo perdeu a utilidade pra mim. É quase impossível não lembrar o seu rosto naquela tela arrumando o cabelo de maneira estranha, cantando, tocando, até mesmo usando sua bombinha. As marcas dos meus dedos ainda estão na tela de tanto que eu ficava 'acariciando' o seu rosto. E o que falar da estranheza que é levantar 5:00 da manhã e não ouvir o seu grito de bom dia, porque acho que você é a única pessoa pessoa que acorda essa hora da manhã tão feliz, a única pessoa que me arrancava sorrisos bobos antes da 7:00 da manhã, juro que achava que isso era humanamente impossível, ai veio você. Algumas vezes acho que não te disse tudo que significava para mim, do medo enorme que eu sempre tive perder você. E quantas vezes você tentava e tentava me arrancar alguma palavras e eu não conseguia né, mas lá no fundo você sabia que eu sentia, você sempre coube tudo, mas acho que falar as vezes é essencial também. Pode parecer ridículo, mas eu ainda fantasio o nosso encontro, uma das páginas dos meus favoritos ainda é a de venda de passagens aéreas, economizar nunca foi comigo mas ainda me pego policiando porque nunca se sabe quando vai precisar, o meu inconsciente ainda se ocupa com tudo isso mesmo sem que eu perceba. Como ouvir a palavra 'Momozim', ou até mesmo a música, e não lembrar de você? impossível né, você  detesta essa música mas te fiz ouvir tanto que até ria vez ou outra. E o flamengo? estranho vê-lo jogar e não comentar com você e dizer que ia fazer o favor de torcer para ele só pra te fazer feliz. Eu poderia passar linhas e mais linhas dizendo das coisas que me fazem lembrar você, mas não creio que seja necessário. Comecei a escrever porque estava sentindo muita falta de você, e parece que quando escrevo e vou lembrando das coisas de alguma forma me aproximo de você de novo. Eu sei que é estranho sentir tanta falta de alguém que nunca vi, que foi tão 'pouco' tempo, mas afinal toda nossa história foi meio estranha mesmo né?! Agora você consegue entender porque eu era/sou tão fechada? Eu não sou boa com fins, e a verdade é que eu queria tentar de novo, recomeçar, retomar -dê o nome que você quiser - nossa história, pegar o primeiro avião e ir te encontrar pra te falar tudo que eu tenho preso em mim até hoje. Não sei, mas como você disse uma vez, o mundo dá muitas voltas, e algo em mim ainda acredita que ao menos vou te ver, dá um rosto e um cheiro a minha saudade. 
A verdade é que existe muito de você em mim, eu não terminei de amar você.
- Alguns infinitos são maiores do que outros. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Nós terminamos no estacionamento de uma pizzaria. Ele queria casar. Queria filhos, um emprego decente e um quintal grande para ter cachorros. Eu queria Nova York. E Londres. Talvez a Tailândia por um ou dois anos. Queria escrever e morar num apartamento horrível e viver uma paixão desajustada. Eu tinha acabado de fazer 21 anos e ainda não queria algo tão fácil.
Pedimos uma pizza para viagem, sentamos no carro dele e comemos em silêncio. Preferimos isso a pagar o serviço e ouvir a rádio horrível dos anos 90 que tocava dentro do restaurante, ou talvez fosse simplesmente melhor comer em silêncio.
“Tem alguma coisa errada”, eu falei.
“Erraram o pedido?”, ele perguntou preocupado, me lembrando porque eu amava ele.
“Não. Não com a pizza. Com a gente”, eu falei.
Sobrou um pouco de molho no queixo dele. Limpei com o dedo, mesmo sem saber se deveria. Chorando, nos prometemos várias coisas impossíveis, com a pizza não-comida gelando nos nossos pés. Quem sabe em alguns anos, falamos. E eu acreditei nisso por mais tempo do que deveria.
Foi minha justificativa para, três meses depois, espiar o perfil de Facebook dele durante uma madrugada. Eu me prometi que só queria saber se eles estava bem. Eu me convenci que só queria saber se ele tinha conseguido um emprego. Sabe, checar se está tudo bem com os pais deles. Sempre havia um motivo para visitar o perfil dele.
A primeira foto deles juntos foi tirada em uma festa. Acho que era uma festa pelo copo de plástico na mão dela e o sorrisinho meio bêbado dele – aquele do qual eu tanto tirava sarro. Ele segurava ela pela cintura e enquanto eu olhava para a tela do computador, tentei não me lembrar de como eu me sentia quando ele colocava a mão na minha cintura. Talvez eles sejam só amigos. Será que eles já se conheciam enquanto namorávamos? Fiquei pensando se já tinham dormido juntos.
Eu me lembrei que não tinha o direito de me importar com isso. Mas eu me importei. Eu fechei o laptop com tudo. Já tinha me torturado o suficiente por uma noite. Mas assim que eu dormi, sonhei com ele.
Era inverno. A neve estava suja no estacionamento da loja de conveniência onde compramos papel higiênico. Estávamos encostados no carro e eu sentia que estava congelando. Ele respirou perto de mim, aquela nuvem de ar quente me aquecendo. Como em qualquer sonho desse tipo, a história não fazia sentido algum. Por que estávamos parados e não andando? Por que estávamos dirigindo o carro da minha mãe em vez do dele? Por que ele estava sem casaco? Por que ainda estávamos juntos?
Eu tirei minhas luvas e coloquei as mãos por baixo da camiseta dele, procurando seu peito. Ele sentiu arrepio e sorriu para mim.
“Eu só estou aqui para aquecer suas mãos, né?”, ele disse.
“Talvez”, eu dei uma risadinha.
Acordei com frio, procurando por ele na minha cama.
O momento depois de acordar sempre foi o pior de todos. Naquele momento, eu sentia que o sonho era real, que talvez a gente nunca tivesse terminado. Naquele momento em que eu voltava a dormir, desejando mais do que tudo colocar minhas mãos no peito dele. Aquele momento em que eu lembrava quão fácil era amar e ser amada e que parecia impossível que aquilo não fosse mais o caso.
Eu peguei meu celular no criado-mudo e dei uma olhada no Twitter. Eu precisava estar com ele, do jeito que fosse. Lendo os posts dele, conseguia ouvir a sua voz. Eu imaginava ele dando risada das próprias piadas antes de postar e sorria pensando nisso. Eu ouvia tão bem a voz dele que por um minuto nem me senti tão sozinha.
Seis meses depois de terminar, outra foto surgiu: ele e a garota do copo de plástico num jogo de baseball. Senti um nó no estômago quando entendi que ela se tornaria alguém presente na vida dele. Olhei aquela foto, cada um segurava uma bebida. Me perguntei se ela gostava de esportes ou só estava lá pela cerveja e pelos cachorros quentes, como eu. Ou se ela adorava olhar a calça justa dos jogadores, ou falar do pessoal bêbado em volta dela. Ou se eles estavam se divertindo.
Vendo eles juntos, com aqueles sorrisos sinceros e copos cheios, ainda assim não entendi que ele tinha superado. Talvez em alguns anos – eu sempre lembrava daquela promessa com facilidade. Eu não queria ele agora, mas isso não significava que eu não poderia ter ele nunca mais.
Eu não conseguia aceitar que ele podia se apaixonar por outra enquanto eu ainda o amava. Naquela época, eu não entendia que o amor podia ser algo tão platônico. Eu não conseguia imaginar que ele falava para ela coisas que tinha falado para mim, ou que olhava para ela do mesmo jeito que me olhou um dia.
Estava tão iludida que sentia dó dela. Aquela coitada que tinha um namorado que amava a ex. Engraçado como é fácil acreditar no inacreditável para não se magoar.
Eu pensava nele deitado na cama, olhando para o teto, desejando que aquela garota ao lado dele fosse eu. Era mais fácil imaginar que ele não conseguia dormir, me procurando pela cama, do que acreditar na real: que ele não estava pensando em mim.
A internet me contou várias coisas sobre ela. Que ela era linda e inteligente. Que ela era sociável e tinha um sorriso doce. Eu queria odiá-la, mas não conseguia. Ela tirava fotos com crianças e sorria de forma muito sincera. Ela ria de um jeito que me parecia autêntico. Ela parecia uma daquelas mulheres que não demora para se arrumar.
Olhava para a foto do perfil dela e depois para a do meu, tentando sair de dentro de mim e ser um juiz justo comparando nós duas. Olhava para nossos perfis e via tudo que a gente tinha em comum, e tudo que a gente não tinha. Meu rosto é mais angular que o dela, meu cabelo é menos loiros. Meu sorriso não é tão espontâneo, a não ser nas fotos em que eu estava com ele. Ela fazia mais trabalho voluntário que eu, mas eu parecia sair mais. Ela parecia vir de uma família com dinheiro, e eu parecia viver de roupas de doação e uma lista de supermercado enxuta. A gente tinha nossas diferenças, mas também tinha similaridades óbvias: amávamos nossas famílias, nossos amigos e o mesmo cara.
Foram meses assistindo eles se marcarem em fotos até a mudança do status de relacionamento. Eu sofria vendo eles trocando piadas internas no Twitter e especulava do que eles estavam falando. Percebi quando ela ficou amiga das irmãs dele e tirou fotos com a sogra. Fui a espectadora da viagem de férias dele, enquanto ele usava um relógio que foi presente meu. Vi eles dirigindo juntos no carro em que nos beijamos - o mesmo carro em que terminamos.
Eu vi o relacionamento deles chegar a fases que o nosso tinha chegado, e a fases que não tinha.
Eu me perguntava se eles brigavam. Me perguntava se o que ele fazia que tanto me irritava também incomodava ela. Me perguntava se ela também queria o quintal grande e o emprego estável.
Sim, eu poderia parar de acompanhar eles a qualquer momento, mas era um vício. Eu queria saber o que ia acontecer. Se eles iam dar certo. Ou, talvez, se não iam.
Apesar de me torturar tanto, nunca falei com ele.
Eu ainda queria Nova York. E Londres. E talvez a Tailândia por um ou dois anos. Nada tinha mudado. Mas eu gostava de ver as fotos daquele dentucinho. Eu gostava das caras bobas que ele fazia quando não estava pronto para a foto. Ele me lembrava de como era me apaixonar, e eu gostava disso.
Nós estávamos em caminhos opostos, mas eu ainda sentia uma atração inexplicável por ele. Era tão bom ter ele ali, tão acessível, mesmo se ele não estivesse de fato.
Eu não me achava uma stalker, mas talvez eu fosse – espiando a vida feliz de alguém por uma janela virtual. Acho que pensava que, só por vê-lo na tela do computador, de alguma forma ele ainda era meu e talvez eu não estivesse sozinha e talvez alguém me amasse. Talvez ele também estivesse espiando minha vida.
Com o passar do tempo, entrei menos no perfil dele. E quando eu entrava, não doía mais tanto. Ao contrário, passou a ser quase um tédio, uma dor familiar que deixa cicatriz, mas você sente mais a dor pela lembrança do que por qualquer outra coisa.
Comecei a conseguir passar uma hora sem pensar nele. Depois foram algumas horas, um dia, uma semana, um mês.
Hoje, quando entro no perfil dele, quase não sinto mais nada. Tenho orgulho quando algo de bom acontece na carreira dele, e fico triste se alguém morre. Fico feliz por ele estar apaixonado. Fico feliz que a garota do copo de plástico encontrou um homem tão bom.
Talvez hoje ele seja diferente. Não dê aquele ronquinho quando ri ou não faça sanduíche de pizza antes de comer. Talvez eu não conheça mais ele. Ainda assim, entrar no perfil dele me lembra de como fui capaz de amar e que sou digna de ser amada. Eu me lembro de que quando você realmente se importa com a outra pessoa, você nunca realmente a esquece.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Uma vez,
uma namorada terminou comigo.
Perguntei:
“O amor acabou?”
Ela respondeu:
“Não”.
Eu:
“Então, por que terminar?”.
Ela:
“Porque esse amor
não quero”.
Perguntei:
“Qual amor você quer?”.
Ela:
“Quero me jogar de um precipício,
sem saber se lá embaixo vai ter alguém para me segurar.”
Porra, isso é hora de poema?
Quem está terminando,
você ou a Clarice Lispector?
Na hora, fiquei puto.
Eu disse:
“Você poderia ficar perto da janela?”.
Ela:
“Pra quê?”
Eu:
“Quero te jogar daqui”.
Hoje, finalmente,
entendo o que ela quis dizer.
Existem amores que fazem sofrer.
Existem amores corruptos.
Existem amores que agridem
verbalmente, fisicamente,
que não conversam,
que não passam pelas quatro estações,
que ficam sempre no inverno.
Existe amores sem fidelidade,
acomodados e
que ficam pela metade.
E existem amores
que se respeitam,
fazem rir, cantar, dançar,
que nos fazem ser mais corajoso do que nunca.
Existem amores que as pessoas se entregam.
Existem amores
que pega seu mundo
e vira do avesso.
Existem amores
em que dois se tornam um.
Então,
basta escolher.
Qual amor você quer?

-Ique Carvalho-